Química

Quanto mais as tecnologias avançam, mais a figura do químico é indispensável. Além de estudar os processos da natureza, esse profissional é responsável por grandes facilidades que encontramos no nosso dia-a-dia, como combustíveis extraídos de plantas, alimentos com maior durabilidade e cosméticos cuja produção dispensa o teste em animais. "Trabalhamos pensando sempre em melhorar a qualidade de vida das pessoas de forma menos agressiva ao meio ambiente", afirma Renata Patrícia dos Santos, química da Indústria Química UNA, em São Paulo (SP). A empresa atua na área de adesivos e traz um bom exemplo de como esse profissional contribui para isso. "Ao pensar em cola, fazemos uma relação direta com o efeito entorpecente da cola de sapateiro, cujo solvente é tóxico. As pesquisas nos permitem desenvolver um material de qualidade, menos tóxicos, com solvente à base de água. Aos poucos, os clientes estão mudando a mentalidade e passando a utilizar esse tipo de produto", conta a especialista. Esse profissional analisa substâncias e compostos, identifica suas propriedades e características
físico-químicas, como elasticidade, resistência ou toxicidade. Investiga como os compostos reagem às variações de pressão e temperatura, entre outros fatores. Faz projetos de instalações industriais e cuida da manutenção de equipamentos. Pesquisa e cria novos materiais, controla e supervisiona a produção e aplica testes de qualidade. "Se um cliente que fabrica calçados, por exemplo, desenvolve um novo produto, nosso papel é criar um adesivo adequado àquele material, o que exige pesquisa e muito trabalho em equipe", explica Renata.

MERCADO DE TRABALHO
A indústria química brasileira é a nona maior do mundo. Considerados todos os seus segmentos (químicos industriais, farmacêuticos, higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, defensivos agrícolas, adubos e fertilizantes, tintas e vernizes, limpeza e fibras artificiais e sintéticas), teve um faturamento líquido de R$ 201,6 bilhões em 2007- crescimento de 12,2% acima do de 2006. Esse dado indica um cenário favorável para os químicos no país, que encontram boas oportunidades de trabalho em todo o estado de São Paulo, nas indústrias têxteis da Região Sul e nos pólos petroquímicos espalhados pelo país. "A indústria de calçados do interior de São Paulo é um importante empregador. Os profissionais são contratados para trabalhar tanto na área de pigmentos, como na conservação e tratamento do couro", diz Marco Antonio Verzola, coordenador do curso de Química da Universidade de Franca (Unifran), em São Paulo. Um setor que vem crescendo e empregando esse profissional é o de cosméticos, cujas indústrias se concentram principalmente em Campinas, Araraquara e em municípios da Grande São Paulo. Cada vez mais, os empresários se preocupam com a questão ambiental e buscam químicos especialistas em meio ambiente, com conhecimentos sobre tratamento de efluentes, reciclagem de lixo e reuso de água. Embora 50% dos bacharéis sejam absorvidos pelo setor industrial, existem boas oportunidades em usinas de açúcar e álcool, concentradas nas regiões de Piracicaba e Ribeirão Preto, no interior paulista, além dos pólos que estão surgindo no Mato Grosso e em Goiás. Órgãos governamentais e secretarias estaduais e municipais de Meio Ambiente também contratam esse profissional para a área de pesquisa.
$ Salário médio inicial: R$ 2.500

O CURSO
A primeira metade do curso - que tem duração média de quatro anos - é composta de disciplinas básicas: química orgânica e inorgânica, física, cálculo e matemática, fundamentais nas análises das reações. A partir do terceiro ano, opta-se entre química pura, voltada para a pesquisa e o ensino, e a tecnológica (ou industrial), que envolve o estudo de novos materiais e controle de qualidade. Seja como for, grande parte da carga horária é dedicada a aulas de laboratório. O estágio, que é obrigatório, abre as portas para o mercado de trabalho. Se quiser dar aulas no ensino fundamental e médio, o aluno precisa fazer a licenciatura. Algumas instituições oferecem a licenciatura com denominações específicas, como Ciências (química) e Educação (ciências químicas). Para atuar no ensino superior, é necessário ter pós-graduação. Algumas faculdades oferecem apenas a habilitação em química industrial ou tecnológica. Outras oferecem essa habilitação voltada para um setor específico, como alimentos.
Outros nomes: Ciên. (quím.); Ciên. da Natureza (quím.); Ciên. da Natureza e Matem. (quím.); Ciên. Exatas (quím.); Ciên. Naturais (quím.); Educ. (ciên.: quím.).

O QUE VOCÊ PODE FAZER

Ensino
Dar aulas no ensino fundamental, médio e superior.

Meio ambiente
Desenvolver e acompanhar técnicas de tratamento de resíduos industriais, para impedir ou reduzir a poluição de água, ar e solo.

Pesquisa
Trabalhar em universidades, institutos de pesquisa, indústria e órgãos do governo, produzindo testes e publicando artigos científicos.

Química industrial
Desenvolver produtos e tecnologias para a indústria. Avaliar a viabilidade técnica e econômica de processos de fabricação e gerenciar a linha de produção, coordenando a instalação e a manutenção de equipamentos. Aperfeiçoar produtos que passem por tratamento químico. Na indústria alimentícia, procurar melhorar o sabor, o aroma e a conservação de alimentos. Nas tecelagens, testar e implantar materiais, texturas e cores em tecidos.

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