Há um mês em greve, UFRJ espera dívida de R$325 milhões

Iniciada há pouco mais de um mês, a greve na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) não tem perspectiva de ser encerrada de imediato. Isto porque, até agora, pouco avançaram as negociações entre o governo e o Fórum dos Servidores Públicos Federais, que engloba várias entidades representantes do funcionalismo, entre elas, o Sindicato Nacional de Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN). Enquanto o Ministério do Planejamento ofereceu reajuste de 21,5% (5,5% em 2016, 5% em 2017, 4,75% em 2018 e 4,5% em 2019), os grevistas querem os 21,5% apenas para 2015.

A greve na UFRJ está longe do fim também por conta da situação da universidade. Em função dos cortes promovidos pelo governo federal no orçamento da educação, estima-se que a universidade termine este ano com déficit de R$325 milhões. O cenários em relação às contas da federal foi apresentado em comunicado feito pelo comando de greve local.

Segundo o texto, previsão atual das despesas para o ano de 2015 é de R$696 milhões. No entanto, os recursos previstos no orçamento, por conta do corte de gastos, são de R$371 milhões, além dos R$ 67 milhões de recursos próprios. A diferença resulta nos R$325 milhões estimados. Além do corte orçamentário, que atinge 47% das verbas para investimento e 10% para as de custeio, outros fatores complicaram a execução orçamentária deste ano na instituição. Estima-se que R$62 milhões liberados este ano tenham sido usados para quitar dívidas do ano passado.

No primeiro semestre, o então reitor Carlos Levi já salientava que a UFRJ deixou de receber cerca de R$60 milhões e que esta seria uma das causas da falta de pagamento a firmas terceirizadas, que gerou levou a universidade e o colégio de aplicação a não funcionarem em vários dias deste ano. “Sendo assim, o ano de 2015 já se iniciou com um orçamento limitado, tanto pela demanda oriunda do crescimento dos últimos anos, quanto pela necessidade de cobrir déficit do ano anterior”, informa um dos trechos da nota divulgada pelo comando local de greve.

Outro problema é o fato de algumas dotações orçamentárias terem, na prática, valores acima do inicialmente previsto. Um dos casos é o do fornecimento de energia elétrica, um dos serviços que mais sofreu reajuste de tarifas no país. De acordo com a proposta orçamentária, a previsão inicial de gasto era de R$23 milhões, mas já passou para R$48 milhões. Só nesse caso, o déficit é de R$25 milhões. Segundo informações da nota emitida pelo comando local de greve, a mesma necessidade de ampliar a previsão se deu no caso dos gastos com a limpeza (de R$32 milhões para R$53 milhões, perfazendo um déficit de R$21 bilhões).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *