24/02/2013

Na última sexta, dia 15, a Marinha divulgou o edital de mais um concurso de admissão ao Corpo de Fuzileiros Navais. A partir daí, milhares de jovens em todo o Brasil buscarão alcançar o sonho de ingressar na corporação e iniciar uma carreira que, entre seus atrativos, tem a estabilidade e a ascensão profissional, o que não é fácil conseguir fora do serviço público atualmente.

O Corpo de Fuzileiros é estratégico para a Marinha. Ele confere à corporação a capacidade de projetar poder em terra. Uma das funções deste grupo de militares é atuar na defesa das instalações navais e portuárias, dos arquipélagos e das ilhas oceânicas nas águas jurisdicionais brasileiras. E esta atuação tornou-se ainda mais importante nos últimos tempos, em especial, por causa das possibilidades trazidas pela exploração de petróleo na chamada camada pré-sal.

A atuação dos fuzileiros navais, porém, não está limitada ao Brasil. Eles têm desempenhado papel importante em missões de paz e humanitárias, realizadas em outros países. Este grupamento da Marinha Brasileira faz parte, por exemplo, da Missão das Nações Unidas para Estabilização no Haiti. “Há quase oito anos no Haiti, a contribuição dos Fuzileiros Navais já pôde ser percebida pela população e pelos contingentes dos demais países participantes desta Missão de Paz, por seu acentuado profissionalismo e pela grande eficiência em suas ações”, salientou o primeiro tenente, fuzileiro naval, Diego Luiz dos Reis, que é comandante de Pelotão.

A atuação dos fuzileiros navais brasileiros no exterior vai além da missão que está no Haiti. Eles vêm participando como observadores militares de missões da Organização das Nações Unidas (ONU), tendo atuado em áreas de conflito, como El Salvador, Bósnia, Moçambique, Costa do Marfim, Ruanda, Angola, entre outros países. Em território angolano, o Corpo de Fuzileiros Navais atuou de forma decisiva para a manutenção da paz naquele país.

Os militares brasileiros também contribuíram como monitores e supervisores de desminagem humanitária em países como a Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, Peru, Equador e Colômbia, em apoio à Junta Interamericana de Defesa da Organização dos Estados Americanos (OEA). Hoje, os fuzileiros navais participam de uma missão de paz no Líbano, país localizado no Oriente Médio. Para estarem aptos a atuarem em ações militares em diversos países, este contingente da Marinha passa por constante treinamento.

“Para estarem sempre prontos, os fuzileiros navais desempenham atividades de treinamento, cursos de especialização e aperfeiçoamento, instrução, além de diversas atividades logísticas e administrativas necessárias a dar todo suporte à Força”, destacou o primeiro tenente.

Atuação diversificada na estrutura da Marinha
Os fuzileiros atuam em diversas funções na Marinha. Eles podem ser deslocados para as áreas de infantaria, engenharia, comunicações, motores e máquinas, música, eletrônica, entre outras. “Os militares escolhem a área em que irão atuar antes da promoção a cabos. Os critérios utilizados para a escolha são perfil para carreira (proficiência física, no tiro e conceito) e nota na prova do concurso para cabo”, explicou o primeiro tenente Diego Luiz dos Reis.

Assim como ocorre em diferentes patentes militares, os que ingressam no Corpo de Fuzileiros Navais também têm possibilidades de ascensão profissional. Em geral, a evolução na hierarquia militar ocorre por meio de provas e tempo de serviço. A carreira começa após o curso de formação, onde os alunos habilitados são nomeados soldados fuzileiros navais.

O passo seguinte na evolução profissional é participar de um concurso para cabos. Após a aprovação neste processo seletivo interno, o passo seguinte é a graduação de sargento, para a qual também é feito um concurso, após um número mínimo de anos como cabo. É possível ascender terceiro, segundo e primeiro sargento. O fim da carreira para quem ingressa como fuzileiro naval é o posto de suboficial.

Mas, há possibilidade também de quem ingressa como fuzileiro chegar a patentes superiores, no corpo de oficiais. Existem duas formas de isto acontecer. Uma é por meio de concursos externos, realizados anualmente pela Marinha e dos quais os fuzileiros também podem participar, desde que atendam aos requisitos do edital.

Outra possibilidade é a realização de processos seletivos internos pela Marinha para ingresso no Corpo de Oficiais Auxiliares do Corpo de Fuzileiros Navais. Neste caso, é preciso que o candidato tenha, pelo menos, quatro anos na graduação de sargento. Assim como nos concursos externos, os candidatos precisam ser aprovados nos exames e cumprir os requisitos determinados para serem oficiais.

“Atualmente, muitos oficiais são oriundos do Corpo de Praças e começaram sua vida militar como recrutas. A carreira militar dentro da Marinha do Brasil possibilita o crescimento profissional e, consequentemente, pessoal”, destacou o Diego Luiz dos Reis, salientando um aspecto que considera fundamental para o sucesso na carreira militar.

“Para alguém tornar-se um bom militar, é preciso cultuar a saúde do corpo e da mente, valorizar o trabalho em equipe, as amizades sinceras e a união. É preciso ser perseverante e mostrar-se capaz de superar desafios. É necessário, ainda, desenvolver a confiança em si mesmo e em sua equipe. Além disso, é essencial ser moderado em suas necessidades materiais e de pleno caráter, honestidade, e ter vontade de aprender e se capacitar”, concluiu o comandante de pelotão.

Corpo de Fuzileiros Navais chegou ao território brasileiro no início do século XIX
A Brigada Real da Marinha Foi a Origem do Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil. Criada em Portugal em 1797, pela rainha D. Maria I, chegou ao Rio de Janeiro em 7 de março de 1808, acompanhado da Família Real Portuguesa, que veio para o Brasil, resguardando-se das ameaças dos exércitos invasores de Napoleão Bonaparte.

O batismo de fogo dos fuzileiros navais ocorreu na expedição à Guiana Francesa, entre os anos de 1808 e 1809, com a tomada de Caiena, cooperando ativamente nos combates travados. A vitória garantiu, para o Brasil, a posse do território onde está situado, hoje, o estado do Amapá.

Após o retorno de Dom João VI para Portugal, um batalhão da Brigada Real da Marinha permaneceu no Rio de Janeiro. Desde então, os soldados-marinheiros estiveram presentes em todos os episódios importantes da história do Brasil, como nas lutas pela Independência, nas campanhas do Prata e em outros conflitos armados em que o Brasil se envolveu.

O Corpo de Fuzileiros Navais só passou a ser conhecido por esta denominação a partir de 1932. Até então, o grupamento já foi chamado de Batalhão de Artilharia da Marinha do Rio de Janeiro, Corpo de Artilharia da Marinha, Batalhão Naval, Corpo de Infantaria da Marinha e Regimento Naval.

Os fuzileiros atuaram em um dos mais importantes conflitos internacionais. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi instalado um destacamento de Fuzileiros Navais na Ilha da Trindade. O objetivo era impedir o estabelecimento de bases inimigas para utilização de submarinos. Para proteger o país, foram criadas, ao longo da costa brasileira, Companhias Regionais, que mais tarde foram transformadas em Grupamentos de Fuzileiros Navais.

Após a Segunda Guerra, na década de 50, o Corpo de Fuzileiros Navais estruturou-se para emprego operativo, como Força de Desembarque, passando a constituir parcela da Marinha destinada às ações e operações terrestres necessárias a uma campanha naval. Nos últimos anos, além de atuarem na proteção do território brasileiro, no céu, no ar e na terra, os fuzileiros contribuem com diversas missões de paz e de ajuda humanitária, em diversos países do planeta.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...