O vestibular é uma fase de muita tensão entre os estudantes brasileiros. Ao longo do ano, várias horas são dedicadas diariamente à preparação. E, diante do esforço dos vestibulandos, é natural que todos esperam que, no final, o processo seletivo privilegie os mais qualificados, dentro das regras estabelecidas, e que não exista espaço para irregularidades.

Entretanto, a polêmica envolvendo a matrícula de cinco alunos do curso e Medicina da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) pôs em dúvida a confiabilidade dos processos seletivos. E trouxe um certo receio entre quem vai disputar vagas no próximo ano, em especial nos cursos mais concorridos, sobre, até que ponto, podem existir esquemas de compra de vagas em instituições públicas.
“Esse episódio me preocupa porque, se uma pessoa estuda muito tempo para passar em uma faculdade e outra que não se dedicou compra a vaga, para onde vai todo o esforço da primeira pessoa? É de se sentir mal”, desabafa a estudante Laura Fagundes, 17 anos, aluna da unidade Tijuca da Rede MV1 de Ensino e candidata a uma vaga no curso de Medicina, justamente aquele em que há suspeita de ingresso irregular de cinco estudantes.
Candidata à mesma graduação, Emilye Gomes, 16 anos, sente-se desrespeitada e manifesta preocupação com as pessoas que concorreram às vagas envolvidas na polêmica. “Acho uma falta de respeito com as pessoas que prestaram o vestibular de maneira justa e mereciam essas vagas, mas perderam para essas pessoas que compraram os lugares”.
Apesar de ter sido um choque para muitos vestibulandos, o episódio envolvendo as matrículas na UniRio despertou um interesse maior da jovem Fernanda Amaro para os estudos. Segundo Fernanda, enquanto a situação não for esclarecida, é preciso se esforçar mais para garantir uma boa colocação e não ficar sujeito a esse tipo de irregularidade.

“Isso não me desanima a tentar uma vaga na UniRio. Mas vou tentar de tudo para conseguir uma colocação muito boa e não correr o risco de que isso aconteça comigo”, afirma a estudante, que também estuda na Rede MV1 da Tijuca, e que busca se classificar no vestibular para o curso de Medicina. Segundo Fernanda, todos os colegas ficaram chocados com a notícia.

Possível fraude preocupa candidatos a outras carreiras

O episódio ocorrido na UniRio não desperta apenas a preocupação dos candidatos ao curso de Medicina. Mesmo antes da divulgação da suspeita de irregularidades no ingresso no curso de Nutrição, vestibulandos de outras graduações concorridas também já temiam que a possível fraude na matrícula pudesse ter atingido mais cursos. É o caso de José Carlos da Cruz, 17 anos, que busca uma vaga na área de Engenharia.
“Esse episódio me preocupa porque mostra que não há seriedade no concurso público ou em um vestibular. A gente se prepara o ano todo, gasta muito tempo se dedicando intensamente, sacrificando nossos finais de semana, chegando a estudar 16 horas por dia, para vir uma pessoa que não se preparou tanto e ocupar uma vaga!”, disse, revoltado, José Carlos da Cruz.
Entre os estudantes, as reações são variadas, apesar de todos demonstrarem preocupação. A aluna Bianca Rangel, 17 anos, não deixará de concorrer a uma vaga de Direito na instituição, mas não esconde o descontentamento. “Meu sentimento é de revolta. Estamos em 2012, em pleno século XXI, e ainda temos esses esquemas. Isso é vergonhoso”.
Quem também pretende continuar na disputa por uma vaga é a estudante Júlia Fagundes, 17 anos. A candidata ao curso de Engenharia de Produção acredita que o episódio não desmerece a instituição, pois a UniRio continua sendo uma das melhores na área. Entretanto, a jovem se sente lesada com a situação.
“No terceiro ano, quando decidimos tentar passar no vestibular, nós ‘deixamos de viver’ para focar nesse objetivo. Engenharia de Produção é um curso muito difícil para passar, então, temos que nos dedicar muito. E quando vemos que outra pessoa entrou facilmente, sem se esforçar para conseguir ser aprovado, mesmo que em um curso diferente do que queremos ingressar, é ridículo”, desabafou.
Já o estudante Rafael Cussa, 17 anos, faz questão de lembrar que a irregularidade nas matrículas pode não ser apenas um episódio isolado. “Saber que existe a possibilidade de um esquema de compra de vagas dá uma desanimada. Sempre tem falha, além dessa nas matrículas, pode haver compra de gabaritos. O Enem também tem problemas todos os anos”, lembra o candidato ao curso de Direito.
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