Servir e proteger a pátria ou então obter renda fixa e emprego estável por toda a vida. A carreira militar atrai milhares de jovens por diversos motivos. Entretanto, fazer parte das Forças Armadas exige dos estudantes muito esforço e dedicação. Os processos seletivos são concorridos, mas, em geral, aqueles que planejam sua preparação conseguem atingir o objetivo. Até por isso, apesar da  dificuldade, os candidatos sempre encontram uma boa razão para seguir na busca pela vaga.

A estudante Ágatha Bouças, 18 anos, pensa em fazer o concurso para Academia da Força Aérea (AFA). Segundo a jovem, entre os atrativos da carreira militar, estão as lições aprendidas durante a formação e a oportunidade de defender a pátria. Além disso, Ágatha também quer pertencer ao grupo crescente de mulheres nas forças armadas.
Eu optei por ser militar porque é um grande sonho que tenho. Também acho a carreira brilhante. Ainda mais agora que as mulheres estão chegando com força e conseguindo seu espaço. Além disso, é uma carreira que te proporciona estabilidade. Militar dificilmente é demitido, a não ser que cometa um erro muito grave”.

Já Murilo de Pessoa, 19 anos, investe no sonho de ingressar no Exército por acreditar em um ideal que identifica na instituição. O estudante também vê na carreira uma oportunidade de estabilidade e realização. Filho de militar, Murilo tentará uma vaga na Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx).

“Eu sempre me imaginei como um soldado, servindo à pátria e, desde essa época, senti vontade de prestar o concurso. Acho que existe um ideal no Exército e eu acredito muito nisso. Há valores que fazem o aluno enfrentar várias barreiras e, mesmo sendo uma formação difícil, ele aprende a seguir em frente.”, afirma.

Além do gosto pessoal, muitas vezes a família também está por trás da escolha pelo militarismo. Crescer vendo pais, tios, avós e outros familiares servindo às Forças Armadas inspira muitos jovens a seguir o mesmo caminho. Esse é o caso de Guilherme do Amaral, 20 anos, que também tenta uma vaga na EsPCEx.

“Eu tenho familiares que fazem parte das forças armadas. Servi ao Exército em 2010 no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) e me identifiquei bastante. Tive que sair, pois é um serviço temporário”, disse Guilherme do Amaral, que iniciou uma graduação em Engenharia de Produção, mas abandonou a faculdade em busca do sonho do militarismo.

Quem também busca inspiração na família é o adolescente Rômulo Quedinho, 15 anos. Candidato a uma vaga na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAr), Rômulo herdou do tio o desejo de ser aviador. “Desde pequeno quero ser piloto. Sempre via meu tio pilotando na Aeronáutica e às vezes entrava no avião pilotado por ele. Quero sentir o orgulho e a honra que é representar a minha família e defender o país”.

A escolha entre a universidade e a carreira nas Forças Armadas

A adolescência é uma época de importantes decisões, principalmente ligadas à vida profissional. É nessa fase que muitos estudantes têm que optar entre focar seus objetivos em uma universidade ou em uma instituição militar de ensino. Nesse momento, é necessário observar as vantagens de cada opção e refletir sobre qual se adequa mais ao perfil e objetivos do candidato.

O estudante Carlos Eduardo Soares, 15 anos, optou por tentar uma vaga no Colégio Naval. A escolha pelo militarismo foi inspirada pelas propagandas das forças armadas na televisão. Mas o adolescente também refletiu sobre a escolha. “Eu acho mais vantajoso seguir na carreira militar porque terei mais chances de êxito. A pessoa pode entrar em uma universidade e não conseguir uma colocação por falta de vagas”.

Candidata à Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (Efomm), a jovem Larissa Galvão, 20 anos, desistiu da universidade. A estudante cursou Engenharia de Petróleo, mas trancou a matrícula na faculdade em busca de um sonho que mantém desde os 15 anos.
“Já fiz o concurso outras vezes, mas não passei. E para não ficar presa, decidi começar a faculdade. Eu também gostei da Engenharia. Mas a vontade de querer ser militar falou mais alto. Remuneração vem em qualquer carreira com bastante esforço, mas ser militar é um sonho. Ver a foto de alguém fardado é muito emocionante para mim, penso na minha pátria”, afirmou.

Ao contrário da maioria dos vestibulares, os processos seletivos das instituições militares de ensino são realizadas a nível nacional. Isso faz com que a concorrência seja muito alta, o que leva os candidatos a organizarem intensas rotinas de estudos e preparação física. Na busca pela vaga na AFA, a candidata Ágatha Bouças chega a estudar 12 horas diárias para passar no concurso.


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...