Março de 2009. Na época, o ministro da Educação, Fernando Haddad, sinalizava pela primeira vez a intenção de acabar com o vestibular em todo o país. A principal via para atingir esse objetivo era mudar a cara do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), uma prova que tinha como objetivo principal permitir ao estudante fazer uma autoavaliação de sua formação na educação básica.

A partir daí, a prova mudou de forma drástica. O número de questões subiu de 63 para 180. Passou a ser aplicada em dois dias, em vez de um. O exame manteve seu perfil interdisciplinar e ainda valoriza muito a contextualização, mas com uma dose de conteúdos muito maior que antes.

Seduzidas, em tese, pela oportunidade de gerar uma influência positiva no ensino médio e, na prática, pela redução dos custos com processos seletivos e pela possibilidade de por fim ao tão criticado vestibular, universidades públicas de todo o país, a maioria da rede federal, mantida pelo MEC, aderiram de pronto à novidade.

Algumas o fizeram de maneira mais gradual, reservando parte das vagas para a prova recém-criada. Outras, sem qualquer receio do risco que existia em uma prova que, pela primeira vez, substituiria vestibulares para algumas das universidades mais cobiçadas do país, encamparam de pronto a empreitada do governo federal.

Três anos e após uma série de problemas, entre eles, o roubo da prova em 2009; erros de impressão e inversão de gabaritos em 2010, e o vazamento de 14 questões que foram aplicadas no simulado de um colégio do Ceará em 2011, já surge, entre os estudantes, a dúvida sobre a adesão em massa das instituições de ensino superior à prova do MEC é tão positiva para os alunos, como é geralmente colocado.



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